Início Opinião Graça Amiguinho O 1º de Maio no tempo do fascismo, no Porto

O 1º de Maio no tempo do fascismo, no Porto

COMPARTILHE
   Publicidade   
   Publicidade   
   Publicidade   

Os tempos que vivemos são de paz e democracia mas não poderemos deixar de dar a conhecer às novas gerações o que se passava antes da Revolução de Abril de 1974.

O meu marido, um alentejano pacífico e ordeiro, veio trabalhar para o Porto, após terminar o seu curso industrial de formação de serralheiro na Escola Industrial e Comercial de Elvas.

Corria o ano de 1963. Tempo de ditadura cerrada. Ninguém tinha sequer o direito de se reunir num café com os seus amigos.

Havia, por todo o lado, a chamada polícia política – PIDE – à paisana, atenta a todas as conversas e movimentações. Desgraçados dos que, em qualquer lado , em pequenos grupos, fossem observados pela PIDE.

Tristes dias os esperavam. O Aljube, prisão política, estava sempre cheia, depois dos possíveis suspeitos terem sido inquiridos e espancados nas instalações da PIDE, contíguas ao cemitério de Agramonte. Quantos terão ido directamente para a sepultura sem conhecimento das famílias!

Chegado o 1º de Maio, a cidade do Porto engalanava-se de polícias armados por todo o lado, não descurando as esquinas das faculdades onde estavam os mais informados da verdadeira situação que o País vivia.

“Canto a minha terra, a minha gente ! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Na baixa da cidade havia carrinhas de polícias com cães, prontos a entrar em acção. Aproximando-se a hora de saída das fábricas, se os trabalhadores mais arrojados decidiam juntar-se na Avenida da Liberdade para protestar e tentar comemorar o Dia do Trabalhador, eram de imediato dispersos com jactos de água e azul metileno .

Quem ficasse marcado com o azul nas roupas e tivesse o azar de ser apanhado pela polícia, passava grandes tormentos em inquéritos e mais inquéritos pois era considerado contra a situação do nosso Portugal e o poder instalado.

O povo tinha um grande aliado na cidade, o Senhor Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, que não pactuava com a ditadura, tendo sido aconselhado a sair do país para não correr riscos de vida.

Essas roupas nunca mais podiam ser usadas pois nada conseguia limpar as marcas. Tinham que ser queimadas e inutilizadas.

O povo não tinha voz para reclamar! O povo nem voz tinha para cantar! Tudo era censurado, tudo era investigada!

O poder absoluto zelava pelo silêncio, pela ignorância e pelo desprezo do povo trabalhador e estudantil.

Hoje, muitos não sabem dar valor ao bem que temos!

Hoje, muitos se iludem com falsos profetas da desgraça que mais não querem que voltar atrás no tempo.

Hoje, é tempo de abrir bem os olhos e os ouvidos e saber para onde vamos e com quem vamos bem.

   Publicidade   
   Publicidade   
   Publicidade   
   Publicidade   
   Publicidade   

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here