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A diáspora elvense

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Um ano mais a portugalidade foi celebrada aquém e além-fronteiras.

Por iniciativa da Presidência da República, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades portuguesas viu as suas celebrações repartirem-se pelo Porto, Rio de Janeiro e São Paulo, fazendo lembrar os tempos em que o império se estendia ao outro lado do atlântico.

Num mundo cada vez mais global, cresce a consciência de que somos mais do que os dez milhões que vivemos à beira-mar plantados, há portugueses em todos os cantos que não devem ser descurados.

Nos últimos anos, pelas múltiplas oportunidades que a globalização trouxe e pela grave crise económica e social que o país atravessou, muita foi a massa cinzenta que Portugal exportou e é importante manter vivos os laços com o seu país de origem, o sentimento de pertença, de identificação.

Elvas não é exceção.

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

Tal como todas as cidades do interior, com a perda de valências e o afastamento dos grandes centros, Elvas tem perdido muitos dos seus filhos em busca de melhores condições, de oportunidades.

Recordo a minha geração que, há vinte anos, concluído o ensino secundário deixou Elvas. Muitos não voltaram, estabelecendo-se nas cidades onde levaram a cabo a sua formação académica, construindo carreiras profissionais nas mais variadas áreas.

Muitos se destacaram e tem vindo a notabilizar-se, mais do que talvez possamos supor.

A diáspora elvense é rica e diversificada e urge que a cidade o reconheça, para sua valorização individual e enriquecimento do coletivo.

Falamos de elvenses que sendo nascidos e criados na cidade raiana saíram do nosso contexto, descobriram novas realidades e abriram os seus horizontes. A ligação que mantem com as suas raízes prende-se, na maioria dos casos, por laços de família, de amizade, pelas tradições, regressando a casa, na páscoa, no São Mateus e não só no natal, como o torrão.>

É preciso mais.

São elvenses informados que podem aportar ideias, ser facilitadores de processos ou simplesmente bons e valiosos embaixadores que levem o nome da cidade mais longe e mais alto.

Urge chegar a eles, reforçar os laços com a terra natal, dar a conhecer aos elvenses os seus feitos, enquanto exemplos de perseverança e de sucesso que tanta falta nos fazem para não baixar os braços e, à semelhança dos heróis das Linhas de Elvas, continuar a lutar por um futuro, individual e coletivo.

Reconheça-se a diáspora, divulgue-se.

Juntos somos mais fortes, até os Amor Electro o cantam.

Palavras leva-as o vento.

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Nuno Pires
Nuno Franco Pires, nasceu em Elvas em 1975 e é um alentejano orgulhoso das suas raízes. Gosta de escrever – sempre gostou. Começou por pequenas histórias, onde os amigos de infância eram os protagonistas, passando pelo blog Dualidades (asdualidades.blogspot.com) do qual foi coautor e onde abordava temas que marcavam a actualidade. Cativam-no as relações humanas e a interacção entre as pessoas; é sobre elas que escreve. Tem participado e vários concursos literários tendo ganho uma menção honrosa no prémio Glória Marreiros, organizado pela Câmara Municipal de Portimão, com a novela "Amor entre muralhas" escrita em parceria. Participou na colectânea "Ei-los que partem" da editora Papel d' Arroz e com a chancela da Chiado Editora editou o seu primeiro romance, "Searas ao vento". Colaborou com a TV Guadiana, publicando semanalmente, pequenas histórias da sua autoria e incorpora o painel de tertulianos da rúbrica "Conversas de Barbearia" do blog Três Paixões.