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A fénix renascida?

Foto: CME

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As últimas semanas têm sido prósperas no anúncio de obras públicas e investimentos para Elvas.

Saúdam-se com agrado, mas com bastante prudência também. O passado recente recomenda-nos serenidade a avaliar por farmacêuticas, cervejeiras e call centers que nos foram prometidos em anos eleitorais e que não chegaram ou ficaram muito aquém das expetativas.

A confirmarem-se estamos perante uma fase de dinamismo que, com certeza, trará emprego e movimentará a economia local.

Alguns estão já a olhos vistos. Na entrada da cidade contamos com mais uma superfície comercial e outra em construção. Poucos ou muitos, há postos de trabalho em criação e isso é bastante positivo, principalmente se tivermos em conta que a cidade lidera, há anos, o ranking de desemprego do distrito.

No passado sábado foi também anunciado o projeto do novo hotel a surgir na parte alta do burgo, a pares com a requalificação da faceira da cisterna que permitirá o acesso dos autocarros àquela artéria. A obra aguarda-se com expetativa porque poderá constituir uma importante solução para a maior dinamização e valorização daquela zona.

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

Chegados à zona do Castelo, os turistas e os elvenses contam, desde a semana passada, com uma nova proposta no campo da restauração: Pedras do Castelo. Propriedade do ceramista Luís Pedras, resulta de um sonho do mesmo, mas também da intenção de fixar os filhos e proporcionar-lhes uma fonte de riqueza, conforme me confidenciou em anterior trabalho para este portal.

As baterias apontam também para o início das obras do Museu de Arqueologia e Etnologia de Elvas que ocupará as devolutas instalações da Antiga Manutenção Militar, devolvendo dignidade a uma zona central da cidade, mas também ao rico espólio encaixotado aquando da requalificação da Biblioteca Municipal.

Para o próximo ano dá-se conta da realização, em Elvas, da Cimeira Mundial de Turismo Militar que nos catapultará, ainda mais, neste âmbito à escala global. Muito bom, venha ela.

Na parte baixa da cidade surge o Hotel de Charme. Decorreram cinco anos desde que a Unesco nos distinguiu e são inúmeros os resultados identificáveis. Mais alguns postos de trabalho, venham eles.

O governo tem dado o seu contributo, prometendo a concretização do corredor de mercadorias Sines-Caia, bem como a reativação da linha de passageiros que ligará Elvas ao Entroncamento, devolvendo-nos esta valência perdida por fatores economicistas. Mais uma vez a coincidência de cores políticas entre o governo de São Bento e a edilidade da rua Isabel Maria Picão a trazer benefícios para Elvas.

Um mar de rosas, não será, mas prevalece a esperança. Os privados parecem motivados pela vinda de turistas e a afirmação de Elvas no panorama turístico nacional e internacional. Apostam em novos negócios, procuram soluções que lhes garanta trabalho e ganha a cidade, ganhamos todos.

Pendente parece continuar o Centro de Artes e Ofícios do Património que tantos benefícios parecia trazer e que, talvez por falta de fundos desta Eurocidade que insiste em não passar das intenções, continua sem ver a luz. Aguardemos.

Ou a Casa da História Judaica que tantas reviravoltas tem levado e que, estou em crer, por motivos de investigação tarda em ser inaugurada. O dia chegará.

No meio de tanta obra, tanto anúncio e algum eleitoralismo à mistura, permitam-me que manifeste o meu agrado por uma empreitada de menor valor material, mas sentimentalmente de grande relevância. Refiro-me à manutenção levada a cabo na que é um dos grandes ex-libris de Elvas, e nem sempre reconhecida: a fonte da Misericórdia. Se atendermos ao seu valor histórico certamente rejubilaremos por a água ter voltado a correr, simbolicamente, à semelhança do que aconteceu há quase quatrocentos anos, quando o Aqueduto a trouxe e salvou a cidade da sede.

Presságios?

Palavras leva-as o vento.

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