Início Opinião Nuno Pires As ameixas d’Elvas – tempos de glória

As ameixas d’Elvas – tempos de glória

Nuno Franco Pires escreve à segunda-fira neste espaço

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Sábado foi dia de percurso pelo património, diferente dos anteriores, inovador.

Depois de vezes sem conta ter tentado por a tónica nas quase malogradas Ameixas d’Elvas, foi com grande satisfação que tomei conhecimento da realização desta iniciativa.

Sob a batuta do professor Mário Cabeças, foram dezenas os elvenses que, como eu, quiseram saber mais desta atividade que nos deu fama além-fronteiras.

Sem desprimor para nenhum dos muitos nomes que protagonizaram esta aventura, destaco o de José Guerra e Luís Conceição. O primeiro como o pioneiro e visionário, tendo somado vários prémios em diversas exposições internacionais, e o segundo porque, pela mão dele, as Ameixas d’ Elvas chegam aos nossos dias fiéis ao tradicional método de confeção.

Formatado para interpretar Elvas como uma cidade agrícola e de serviços, foi com surpresa que tomei conhecimento do diversificado tecido industrial que agitava a cidade intramuros dos séculos XIX e início do século XX.

Além das diversas fábricas conservação de ameixas e demais frutos, desenvolveu-se um conjunto de indústrias complementares ao negócio que, certamente, empregariam dezenas de elvenses, das carpintarias que confecionavam as caixas, às casas comerciais especializadas na venda de papéis de seda e outros materiais que garantiam a decoração e o embelezamento das caixas finais.

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

Mais do que um momento de cultura foi também uma viagem às memórias e emoções dos muitos elvenses que conheceram o auge daquela atividade, alguns deles descendentes diretos dos génios empreendedores.

Curiosidades foram dadas a conhecer, fruto das investigações do professor Mário Cabeças, e que demonstram a importância que as Ameixas d’Elvas tiveram no exterior, mas também do pioneirismo de alguns elvenses, nitidamente muito à frente do seu tempo.

Sabiam que o industrial José Guerra introduziu a máquina a vapor no processo de conservação das ameixas, tendo a maquinaria sido enviada pelos produtores alemães por via férrea?

Sabiam que alguns dos desenhos que enfeitavam as caixas de ameixa da Casa Guerra foram desenvolvidos em Paris?

Papel de parede alusivo às ameixas d’Elvas

Sabiam que as ameixas de Elvas foram tão importantes na sociedade inglesa que foi desenvolvido um papel de parede inspirado nos motivos das caixas de ameixas que para lá exportávamos? Muitas serão, com certeza, as casas decoradas com o Elvas Wallpaper. Não acreditam? Vão ao Google e confirmem.

É esmagadora a inovação e o vanguardismo que a atividade teve na Elvas do passado, ilustre representante do ADN legado pelos heróis das Linhas de Elvas. Pergunto-me onde foi que o perdemos. Fazia-nos tanta falta na atualidade.

O percurso cultural, que se desenrolou pelas artérias mais significativas da história da Ameixa d’Elvas, saberia a tributo se, nas últimas semanas não tivéssemos recebido a agradável notícia do investimento que a família Sereno Fonseca fez no ramo.

Foi com muito agrado que registei o entusiasmo e a paixão com que encaram o projeto e que é meio caminho andado para o sucesso. Mais uma vez faço votos para que a ameixa volte a ser rainha da indústria elvense e, como outrora, se torne motor de desenvolvimento económico.

Palavras leva-as o vento.

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Nuno Pires
Nuno Franco Pires, nasceu em Elvas em 1975 e é um alentejano orgulhoso das suas raízes. Gosta de escrever – sempre gostou. Começou por pequenas histórias, onde os amigos de infância eram os protagonistas, passando pelo blog Dualidades (asdualidades.blogspot.com) do qual foi coautor e onde abordava temas que marcavam a actualidade. Cativam-no as relações humanas e a interacção entre as pessoas; é sobre elas que escreve. Tem participado e vários concursos literários tendo ganho uma menção honrosa no prémio Glória Marreiros, organizado pela Câmara Municipal de Portimão, com a novela "Amor entre muralhas" escrita em parceria. Participou na colectânea "Ei-los que partem" da editora Papel d' Arroz e com a chancela da Chiado Editora editou o seu primeiro romance, "Searas ao vento". Colaborou com a TV Guadiana, publicando semanalmente, pequenas histórias da sua autoria e incorpora o painel de tertulianos da rúbrica "Conversas de Barbearia" do blog Três Paixões.

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