Início Opinião João Carvalho Da minha janela…

Da minha janela…

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Desta janela que é minha vejo ao longe a terra onde cresci. Recordo como corria rua abaixo num desassossego, até à loja da Ti Maria, para comprar um “Fá” nas tardes quentes de Verão, como fugia com os amigos até à beira rio para ir a banhos, deixando a minha Avó com o coração em sobressalto. Mais tarde fiz-me Homem e montado na minha mota percorri trilhos e estradas ajudando o meu Avô na venda e também nas longas noites que passei nos bailes das festas das aldeias em redor… O tempo para mim acabou por chegar e como todos os outros pus-me a caminho de Lisboa em busca de uma vida melhor, casei, tive filhos, voltei a casa e à minha terra.

Desta janela que é minha vejo a vida que vivi, também eu, como a folhas que me fazem companhia já perdi o fulgor, passaram por mim muitas estações, parei em alguns apeadeiros mas voltei sempre aqui, ao melhor de mim, ao que sou.

As raízes são isso, são um pouco da nossa alma, as lembranças que carregamos no olhar, os sons que recordamos com carinho. Hoje são os meus netos que correm por estas ruas, são os seus risos e vozes que trazem de volta o passado, a luz da minha terra e que contemplo desde esta janela que é minha…

Texto: AAdolfo
Foto: João Carvalho (Terena, Portugal)

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