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Simplesmente Mariza

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O nome maior do fado nacional passou por Elvas no âmbito da sua tournée mundial “Mundo 360º”.

Ainda assim, pareceu não ser motivo suficiente para que elvenses e pacenses se mobilizassem em massa e enchessem o coliseu local, como acontecera noutras ocasiões. A fadista lamentou-o.

Queixamo-nos tanto sobre a falta de dinâmica daquele espaço, com tanto potencial, que o facto me mereceu, no mínimo, uma análise.

Razões encontro algumas, não sei se o justificam.

Todos concordaremos que o coliseu de Elvas deveria ser um dos palcos nacionais da descentralização da cultura, condições tem-nas, falta-nos a massa crítica. Este sábado isso ficou provado.

Num concerto com características muito próprias, Mariza apresentou-se com um palco circular, disposto a meio da arena o que, contrariamente ao habitual, permitiu que a totalidade da bancada pudesse ser ocupada, acrescendo algumas centenas aos habituais assentos disponíveis. O efeito visual não podia ser melhor. Equidistante de todo o público, Mariza ocupou o centro, rodeada pelos seus músicos, proporcionando bonitos efeitos de luz e cor.

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

Além disso, não sendo um concerto da responsabilidade do município, que se limitou a ceder o espaço, o preço dos bilhetes assustava os mais temerosos. Estou certo que por um valor ligeiramente mais baixo ter-se-ia facturado mais e a moldura humana seria superior. Às vezes quem tudo quer, tudo perde.

Para finalizar, não nos esqueçamos que esta foi a quinta ou sexta presença de Mariza em Elvas o que terá, também, afugentado alguns que já a viram em ocasiões anteriores. Eu fui repetente. Não a temos por cá todos os dias.

Ainda assim, e apesar de se apresentar num registo ligeiramente diferente do fado a que nos habituou, Mariza não deixou os créditos por mãos alheias. Demonstrou, uma vez mais, a grande artista que é e arrastou consigo o público, criando a habitual cumplicidade.

Conversou, riu e fez rir, emocionou-se, foi próxima, soube cativar. Desceu, interagiu com a assistência, acarinhou e foi acarinhada.

A acompanhá-la o filho, que subiu ao palco para ouvir a mãe cantar a música que lhe é dedicada, e os pais da cantora, além de outros amigos que quiseram acompanhá-la.

Na plateia do coliseu juntaram-se fãs de várias nacionalidades mas era notório o volume de vizinhos espanhóis que não se furtaram a aplaudir a nossa fadista como se de sua se tratasse.

“Gente da nossa terra”, como disse a cantora, referindo-se a todos, qualquer que seja a sua nacionalidade, a quem toca o fado que Amália escreveu e não chegou a interpretar. Cedeu-lho. Deu-lhe a glória.

Mariza saiu de Elvas em apoteose, com papelinhos, balões e o público, de pé, a aplaudi-la e a cantar com ela.

A humildade distingue os grandes e o resto, são cantigas.

Palavras leva-as o vento.

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Nuno Pires
Nuno Franco Pires, nasceu em Elvas em 1975 e é um alentejano orgulhoso das suas raízes. Gosta de escrever – sempre gostou. Começou por pequenas histórias, onde os amigos de infância eram os protagonistas, passando pelo blog Dualidades (asdualidades.blogspot.com) do qual foi coautor e onde abordava temas que marcavam a actualidade. Cativam-no as relações humanas e a interacção entre as pessoas; é sobre elas que escreve. Tem participado e vários concursos literários tendo ganho uma menção honrosa no prémio Glória Marreiros, organizado pela Câmara Municipal de Portimão, com a novela "Amor entre muralhas" escrita em parceria. Participou na colectânea "Ei-los que partem" da editora Papel d' Arroz e com a chancela da Chiado Editora editou o seu primeiro romance, "Searas ao vento". Colaborou com a TV Guadiana, publicando semanalmente, pequenas histórias da sua autoria e incorpora o painel de tertulianos da rúbrica "Conversas de Barbearia" do blog Três Paixões.